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Psicologia-fenomenologica-existencial

O que se convencionou chamar de abordagem fenomenológica-existencial está para além da Psicologia e diz respeito a um complexo arcabouço teórico, filosófico e metodológico. Sua história se inicia a partir dos estudos desenvolvidos por Edmund Husserl (1859-1938) a respeito da fenomenologia, assumindo por objetivo a investigação dos fenômenos (ou seja, aquilo que se manifesta e que não se repete) tomando por base o princípio da intencionalidade da consciência. Já a temática da existência emerge com os autores Sören Kierkegaard (1813-1855) e Friedrich Nietzsche (1844-1900), que são famosos críticos da tradição essencialista da sociedade moderna.

A articulação destes conhecimentos geraram importantes desdobramentos acerca do tema da angústia, da liberdade, do ser e da consciência; sendo sua prioridade a problemática do ser humano em suas relações: consigo, com o outro e com o mundo. Sobre seu desenvolvimento no campo específico da psicologia pode-se destacar o trabalho de Karl Jasper (1883-1969) e seu tratado fenomenológico denominado Psicopatologia Geral (1923). Outro importante nome é o de Martin Heidegger (1889-1976), autor de O ser e o Tempo (1927), que apresenta uma fenomenologia hermenêutica e a teoria do Dasein (ser-aí); sendo sua produção de saber fundamento central para o desenvolvimento da Daseinanalyse articulada por Ludwing Biswanger (1881-1966), reconhecido por seus clássicos estudos clínicos com pacientes esquizofrênicos e também Merdard Boss (1903-1990), cofundador da Associação Internacional de Daseinanalyse em Zurique na Suíça.

Outro destaque é Jean-Paul Sartre (1905-1980), um dos pensadores mais influentes do século XX, que atuou por toda vida apoiado por sua parceira, também escritora e precursora do movimento feminista, Simone de Beauvior (1908-1986). Este além de ser reconhecido por suas obras literárias e filosóficas apresentou em seu livro O ser e o nada (1943) a Psicanálise Existencial que teve por objetivo ser uma base teórica para a construção de uma clínica psicológica e cientifica; o que vem sendo desenvolvido em alguns núcleos acadêmicos da atualidade.

De modo geral, o objetivo central da clínica psicológica que se fundamenta na abordagem fenomenológica – existencial aparece como sendo o de proporcionar ao cliente companhia diferenciada na retomada de seu papel de protagonista em sua própria narrativa. Sendo papel do profissional de psicologia, pela escuta, ater-se a teia de sentidos e significados indicados na relação com o cliente, visando acompanhá-lo no processo de desenvolvimento das análises de suas possibilidades. Evidenciando, com seu olhar sensível, a responsabilidade que ele assume pelo cuidado com seu existir, pela forma como lida com suas afetações e pela sustentação das escolhas que faz em o seu projetar-se.


Fonte: PEREIRA, Alayane Peixoto. Abordagem Fenomenológica – Existencial: Investigando suas bases e problematizando a ação clínica. Trabalho monográfico de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia). Universidade Federal Fluminense. Instituto de Humanidades e Saúde, 2016.

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